terça-feira, 22 de novembro de 2016

{RESENHA} A Casa dos Macacos - Sara Gruen

Isabel Duncan, cientista do Laboratório de Línguas dos Grandes Símios, ama sua profissão e, acima de tudo, os seis primatas da espécie bonobos que vivem no centro de pesquisa da Universidade do Kansas. Mbongo, Sam, Lola, Jelani, Makena e Bonzi são macacos especiais, pois além de se comunicarem com uma linguagem própria eles também aprenderam LAS (Língua Americana de Sinais) conseguindo, dessa forma, dialogar com seres humanos.

Foto: Lu Garcia

Porém, uma explosão criminosa liberta os animais e deixa a pesquisadora gravemente ferida. Uma organização denominada LLT (Liga de Libertação da Terra) publica um vídeo na internet assumindo a autoria do atentado, onde alegam defender os primatas de maus tratos e experiências pervertidas. Depois disso, os bonobos são vendidos para um comprador que exige anonimato.

Isabel se desespera por não saber para onde eles foram, se estão sendo bem tratados e por se sentir impotente em uma cama de hospital. Algum tempo depois, ela se depara com um painel digital com a imagem de Bonzi, uma data e um endereço da internet. No dia anunciado, estreia um reality show criado por uma empresa de pornografia chamada Faulks Enterprises e... adivinha quem são os participante... os bonobos. Imediatamente Isabel reúne amigos para tentar deter a exibição (e porque não dizer exploração midiática) dos símios como também recuperá-los. Ela contará com a ajuda de John Thigpen, um jornalista em busca do furo de reportagem que dará um up em sua carreira.

Minha Percepção - A Casa dos Macacos, assim como Água para Elefantes, é um livro bem estruturado, bem escrito, de fácil assimilação e sem fatos surpreendentes. A leitura é fluente do inicio ao fim (tanto que li em três dias), sendo que o foco da trama são os bonobos, embora a autora tenha entrado em detalhes da vida pessoal de seus personagens humanos e seus conflitos sociais.

Com certeza recomendo este título de Sara Gruen, principalmente aquelas pessoas interessadas nos nossos parentes primatas. Aproveitando o gancho, comecei a ler um exemplar pequeno (85 páginas) do médico Drauzio Varella intitulado Macacos, o qual aborda características gerais dos grandes símios (Orangotangos, Gorilas, Chimpanzés e Bonobos) e as semelhanças com o ser humano para que possamos compreender melhor o homem - aliás nós cinco somos descendentes do mesmo ancestral. Muitas coisas chamaram minha atenção: somente mulheres e fêmeas de orangotangos resistem violentamente ao estupro; entre os gorilas, é comum o macho bater na fêmea, sendo que elas não se unem contra ele e são submissas, fazendo o máximo possível pela reconciliação; os chipanzés e os homens são os únicos que se reúnem para assassinar seu semelhante de forma planejada; os bonobos são comunidades matriarcais, ou seja, quem manda são as fêmeas, dificilmente há conflitos e relações homossexuais são frequentes. Sempre soube que tínhamos muito em comum, mas não tanto! 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

{RESENHA} Água para Elefantes - Sara Gruen

Jacob Jankowski é um homem de 93 anos de idade (ou 90, nem ele sabe dizer) que vive em uma casa de repouso desde que ficara viúvo. Embora seja bem velhinho, com saúde frágil e debilitada, a chegada de um circo na cidade o faz recordar com nitidez de sua juventude, mais especificamente, da época em que trabalhara em um. Dentre estas lembranças há um segredo cujo nunca fora revelado a ninguém, até o momento...

Foto: Lu Garcia

Aos 23 anos, Jacob está prestes a se tornar um veterinário, basta prestar as últimas provas e ser aprovado. No entanto, seus pais sofrem um acidente fatal de automóvel e esse acontecimento mudará para sempre o curso de sua vida. Desnorteado, ele abandona a faculdade e pula dentro de um trem em movimento. O que ele não sabe é que embarcou no Esquadrão Voador do Circo Irmãos Benzini, O Maior Espetáculo da Terra; onde, mesmo sem diploma, é contratado para cuidar do animais. É em meio a belas apresentações e humilhações constantes por parte dos tiranos Tio Al e August que ele se apaixona duas vezes: primeiro por Marlena, a estrela da trupe, e por Rosie a elefante, aparentemente burra, que fora comprada para salvar o circo da falência.

Minha Percepção - Há muito tempo atrás eu assisti ao filme baseado nesta novela de Sara Gruen, mas confesso que não me recordo com exatidão dele. Mesmo assim, me arrisco a dizer que as partes com o velho Jacob não foram filmadas ou adaptadas para o cinema (se eu estiver errada, por favor me corrijam). De qualquer forma, vou revê-lo para ter certeza disso.

O livro é narrado em primeira pessoa, pelo próprio Jacob, já na sua velhice. Os capítulos são alternados, ora contando sobre o Circo dos Irmãos Benzini, ora relatando o cotidiano em meio a outros idosos, enfermeiras e médicos, bem como as dificuldades da idade já avançada. Então você poderá pensar que a ficção é chata, pois é contada por um "velho gagá". Veementemente, afirmo que não! Na verdade são até engraçadas porque ele fala sobre a forma com que as pessoas mais velhas são tratadas, como se não tivessem vontades ou escolhas. Em suma é um título sem muitas surpresas no decorrer da trama, que flui rapidamente; até que você chega nas páginas finais e se depara com o tal segredo que ele guardou por 70 anos: fiquei boquiaberta! Em seguida, o velhote toma um decisão que me deixou tipo: "Ah Meu Deus"...

terça-feira, 8 de novembro de 2016

{RESENHA} O Menino do Pijama Listrado - John Boyne

Bruno é um garoto de 9 anos de idade que leva uma vida tranquila, confortável e feliz. Um dia, ao retornar da escola, flagra Maria, a criada, arrumando seus pertences em caixotes de madeira e recebe a notícia de que a família toda mudará de Berlim para a casa do Campo de "Haja-Vista", onde seu pai, promovido a comandante pelo "Fúria", tem atividades importantes para executar. Bruno fica muito chateado com a novidade: ele precisará sair da escola, se afastar dos três melhores amigos e deixar para trás a casa espaçosa onde sempre fora muito feliz para viver em outra extremamente velha, feia e no meio do nada, onde não há vizinhos, nem crianças com quem brincar; sem mencionar os soldados mal humorados que entram e saem como se fossem os donos da propriedade e não os subordinados de seu pai.

Foto: Lu Garcia

No entanto, ele avista da janela de seu quarto um amontoado de tendas dentro de um cercado cujos moradores, além da aparência medíocre e imunda, vestem roupas exatamente iguais: um conjunto de pijama cinza listrado. Curioso, o garoto sai para explorar aquela terra inóspita e chega até a cerca onde um menino chamado Shmuel está sentado no chão, com semblante triste e infeliz. Esse é o inicio de uma grande amizade, sincera, verdadeira, intensa a qual culminará em um desfecho surpreendente e chocante.

Minha Percepção - Antes mesmo de ler o livro eu já havia assistido ao filme e achado muito bom. Confesso que isso me ajudou bastante, caso contrário, não sei se teria compreendido as mensagens indiretas do autor, uma vez que se trata de um livro que relata as experiências de uma criança e sua visão infantil, e até mesmo inocente, sobre o Holocausto. O livro se refere (o tempo todo) a Hitler como o "Fúria" que na verdade é Fuhrer; e "Haja-Vista" nada mais é do que o Campo de concentração de Auschwitz, um dos palcos dos horrores da Alemanha Nazista. Então, na minha opinião, o livro é um pouquinho confuso, justamente por narrar a forma como a criança sente aquilo que a rodeia. Fato é que eu recomendo essa leitura! Salientando que John Boyne não detalha a guerra ou o Nazismo em si, mas salienta o sentimento puro de duas crianças no meio de toda a injustiça e preconceito que realmente ocorreu na época.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

{RESENHA} Stephenie Meyer: A Rainha do Crepúsculo - Chas New Key-Burden

Como sugere o título, este livro conta a história de Stephenie Meyer e sua trajetória até ficar extremamente famosa - e rica - com a publicação daquele que seria o primeiro exemplar da Saga Crepúsculo. Trata-se da biografia da escritora com ênfase na série de vampiros que conquistou o mundo; narra como se deu a ideia original a qual se transformaria em um sucesso, não só nas livrarias como também no cinema.

Obviamente, o leitor conhecerá um pouco mais sobre a infância de Meyer, sua vida acadêmica, sua rotina como mãe de três garotos e esposa, sua relação com a religião mórmon e o talento de contar histórias cujo se manifestara quando criança. Um ponto interessante sobre a personalidade da autora é sua humildade e simplicidade, mesmo com tantos fãs lhe adorando, com suas obras entre os melhores best-sellers e sendo considerada uma das pessoas mais influentes.

Foto: Lu Garcia

Convidada pela banda de rock Jack's Mannequim, ela escreveu dois tratamentos para um clipe mostrando novamente sua facilidade em criar. Aliás, diga-se de passagens, é um dos grupos musicais favoritos dela! Outra novidade para a escritora fora o convite para fazer uma pontinha na adaptação de Crepúsculo para as telonas: ela topou, mas sem falas!

Minha Percepção - Assistindo o filme pela milésima vez, lembro de ter visto uma mulher que me lembrou a Stephenie, cheguei a pausar pra ter certeza, mas ainda assim continuei na dúvida, depois de ler sua biografia descobri que era ela mesma! A cena é aquela da Bella no restaurante conversando com o Charlie onde a garçonete pergunta se a policia descobriu quem cometera os assassinatos na região, mas antes ela entrega um prato a escritora, sentada no balcão.

Como fã da série, fiquei surpresa ao descobrir quão pouco eu sabia sobre seu inicio e sua criadora. Não imaginava, por exemplo, que ela sonhara com uma das principais cenas de seu primeiro livro, que, até então, não havia cogitação de ser publicado: o único publico que ela tinha em mente ao digitar os primeiros esboços era ela própria! Convencida a publicar, entrou em contato com 15 agências enviando-as uma sinopse de Crepúsculo, 9 rejeitaram e 5 nem se deram ao trabalho de responder! Depois disso, só consigo pensar no arrependimento que devem ter sentido ao perceber que perderam uma oportunidade e tanto ao verem o sonho de Stephenie, literalmente, se tornar realidade...